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Os dois Supremos Conselhos do REAA no Brasil

Temos atualmente no Brasil a rara situação de dois grandes Supremos Conselhos do REAA altamente significativos, sendo o "Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil", com sede em Jacarepaguá-RJ, ligado principalmente aos Irmãos das Grandes Lojas e o "Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 para o Rito Escocês Antigo e Aceito", com sede em São Cristovão-RJ, ligado principalmente aos Irmãos do GOB (Grande Oriente do Brasil).  Reconhecemos ambas as potencias, lamentando as divisões existentes, e transcrevemos o histórico de cada uma, de acordo com as versões constantes nos seus sites oficiais:

 

Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil

(Jacarepaguá - Grandes Lojas  -  http://www.sc33.com.br/)

Histórico:   

12/03/1829 – o Irmão Francisco Ge Acayaba de Montezuma, depois Visconde de Jequitinhonha, então no exílio, recebe do Supremo Conselho dos Países Baixos, hoje Bélgica, uma carta de autorização para instalar um Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil.

12/11/1832 – de volta ao Brasil o Irmão Montezuma instala o Supremo Conselho usando a autorização do Supremo Conselho da Bélgica.

Durante os anos seguintes, várias foram as cisões e aproximações em torno do Supremo Conselho.

Uma das características dessa fase é um amálgama, entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente do Brasil, de forma que o Grão-Mestre eleito passava a ser o Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Rito Escocês, mesmo que tal Grão-Mestre sequer fosse membro do Rito.

1925 – O Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, e portanto Soberano Grande Comendador do Rito Escocês, era o Irmão Mário Behring que, concluindo pela irregularidade de tal situação decidiu separar as duas jurisdições a exemplo do resto do mundo, os Graus Simbólicos com o Grande Oriente do Brasil e os Graus Superiores com o Supremo Conselho. Assim, não mais se candidatou ao cargo de Grão-Mestre permanecendo como Soberano Grande Comendador. Estava feita a tão desejada separação.

O Grão-Mestre eleito, Irmão Octavio Kelly, levado por alguns dissidentes achou por bem não mais reconhecer a separação decidindo assumir também o cargo de Soberano, para o qual não foi eleito, sendo prontamente rechaçado pelos Membros com direito a voto no Supremo Conselho. O que era uma separação amigável transformou-se em cisão.

1927 – Assim, ficou o Supremo Conselho sem ter base simbólica onde buscar os Mestres Maçons para ingresso no Grau 4, e o Grande Oriente do Brasil sem ter para onde mandar os Irmãos das Lojas Escocesas desejosos de continuar os seus estudos. Não tendo alternativa, o Supremo Conselho, que continuava a ser dirigido pelo Irmão Mário Behring, promoveu a criação das Grandes Lojas Brasileiras para delas poder continuara retirar os Mestres para as suas Lojas de Perfeição (Grau 4 ao 14). Membros do Grande Oriente do Brasil, por sua vez, criou, apoiado em alguns ex-membros do Supremo Conselho, um novo Supremo Conselho, que foi chamado de reconstituído.

1929 – Paris, França, é realizada a IV Conferência Mundial, onde comparecem os Supremos Conselhos Montezuma e o Supremo Conselho “reconstituído”. Naquela ocasião ficou definitivamente assentado que o único Supremo regular, reconhecido e única autoridade legal e legítima para o Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil é o que hoje se denomina “SUPREMO CONSELHO DO GRAU 33 DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO DA MAÇONARIA PARA A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, com sede em Jacarepaguá, Rio de Janeiro cujo Soberano Grande Comendador é o Irmão Luiz Fernando Rodrigues Torres, 33°, que é também presidente da XVI Conferência Mundial de Supremos Conselhos.

Tal decisão tem por base o Art. 5°, das Grandes Constituições de 1786, que determina que só pode existir um Supremo Conselho em cada País, exceto nos Estados Unidos da América, onde foi previsto a existência de dois. Não se trata, entretanto, de cisão até porque um é filho do outro.

2000 – Rio de Janeiro, Brasil – Realizada a XVI Conferência Mundial dos Supremos Conselhos com a presença de quase todos os Supremos Regulares do Mundo. O Ir. Luiz Fernando Rodrigues Torres, 33°, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República do Brasil passa a ser o Presidente da XVI Conferência Mundial, e em 2005 transferiu o cargo para o Ir. JACK BALL, 33º, Soberano Grande Comendador da Austrália.

 

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Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 para o Rito Escocês Antigo e Aceito  

(São Cristovão - GOB  -  http://ritoescoces.org.br/)

Histórico: 
 
Não é tarefa fácil escrever a História de uma instituição, que já tem cento e oitenta anos e cujos documentos, em grande parte, se perderam, por negligência, apropriação indevida e sanha dos “colecionadores”, que os exibem em seus arquivos particulares.
Não é fácil, também, quando essa mesma instituição, há mais de setenta anos, é dicotomizada, proporcionando uma longa e infindável polêmica em torno de regularidade e legitimidade verdadeiras e não as sacramentadas por homens movidos, muitas vezes, por paixões pessoais, interesses, ou influências externas.
De 1832 a 1927 – ou seja, cento e cinco anos – o Supremo Conselho do Grau 33, no Brasil, foi um só, abstraídas pequenas e efêmeras dissidências. E a sua História, em grande parte, confunde-se com a História do Grande Oriente do Brasil – a Obediência Mater da Maçonaria Brasileira – com a qual ele fez fusão, a partir de 1854. Durante esse tempo, o Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil era, ao mesmo tempo, o Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho. Por isso, nesse período, a História abordada é, praticamente, a do Grande Oriente do Brasil, limitando-se, o Supremo Conselho, a uma pura rotina administrativa interna.
Em 1927, ocorria o grande cisma na Maçonaria brasileira, o qual, originado no Supremo Conselho, teve repercussão na Obediência Simbólica, propiciando a criação das Grandes Lojas estaduais autônomas. No Supremo Conselho, embora o seu Soberano Grande Comendador tenha carregado todos os documentos e papéis administrativos da Oficina Chefe do Rito, para fora do local de funcionamento desta, não houve uma defecção unânime, mas, sim, um racha, praticamente ao meio. Isso fez com que, com os membros remanescentes, o Grande Oriente do Brasil reconstituísse o Supremo Conselho original, iniciando-se, aí, uma verdadeira batalha, para que as demais Oficinas Chefes do planeta reconhecessem, como regular e continuação do original, um dos dois Supremos Conselhos, a partir de então existentes no País.
Por circunstâncias várias e por um melhor e mais eficiente trabalho de bastidores, junto ao organizador da Convenção de Supremos Conselhos, de 1929, em Paris, o Supremo Conselho, então ligado ao Grande Oriente do Brasil, foi impedido, apenas por esse organizador, de participar do conclave e apresentar a sua versão dos fatos, enquanto que a facção, que, na realidade, fora dissidente – ou seja, discordara da orientação existente até 1927 – contava com as suas benesses e recebia os foros de legitimidade e regularidade, no território brasileiro.
O Supremo Conselho remanescente, ligado ao Grande Oriente do Brasil, recuperaria a sua autonomia, em 1951, sendo separada, a sua administração, daquela da Obediência Simbólica. A partir deste momento, a sua História é só sua, embora ligada, em alguns momentos, com a do Grande Oriente do Brasil.
Assim, o Supremo Conselho continuava tranquilamente, em sua rotina administrativa. Todavia, como funcionava na Rua do Lavradio, ficou em posição de expectativa, já que o Grão-Mestre Cyro Werneck informava que a Assembléia Constituinte do Grande Oriente iria se reunir, em 1960, para decidir se a sua sede continuaria no Rio de Janeiro, ou se seria mudada para Brasília. Já havia, porém na época, a intenção de instalar o Supremo Conselho em outro local, para que ele permanecesse no Rio de Janeiro, quando o GOB se transferisse para Brasília.
Em 07 de setembro de 1960, quando João Goulart assumiu, tendo Tancredo Neves como presidente do Conselho de Ministros, o Grande Oriente e consequentemente o Supremo Conselho, corriam o risco de perder a sede do Lavradio, por desapropriação para a reurbanização do centro do Rio de Janeiro. Em 1962, o GOB ainda brigava por seus direitos na Justiça.
A 15 de novembro de 1965, era assinado o Tratado de Amizade e Aliança Maçônica do Supremo Conselho com o Grande Oriente do Brasil, o qual foi publicado no Boletim Oficial nº 19, Ano III, novembro/dezembro – 1965, nos seguintes termos:


Tratado de Amizade e Aliança Maçônicas O Grande Oriente do Brasil, Potência Simbólica e o Muito Poderoso e Ilustre Supremo Conselho do Brasil para o Rito Escocês Antigo e Aceito, Potência Litúrgica, ambas com sede à Rua do Lavradio, nº97, ao Vale do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, hão por bem renovar, por este Instrumento, a Amizade a Aliança, que há mais de um século existem entre as referidas Potências. 


Art. 1º - O Muito Poderoso e Ilustre Supremo/ Conselho do Brasil para o Rito Escocês Antigo e Aceito (nas demais cláusulas denominado apenas Supremo Conselho) reconhece o Grande Oriente do Brasil, como única Potência regular, legítima e soberana, no Brasil, para os três graus simbólicos. 

Art. 2º - Por seu lado, o Grande Oriente do Brasil reconhece o Supremo Conselho como única Potência regular, legal, legítima, soberana e Chefe do Rito, com exclusiva Autoridade e jurisdição no Brasil.



Este tratado, embora totalmente obsoleto, continua em vigor até hoje, mais de 47 anos após a sua entrada em vigor.
Em dezembro de 1973, no Boletim nº67, surgia pela primeira vez, a disposição do Soberano Grande Comendador em exercício, Ariovaldo Vulcano, de partir para a aquisição de uma sede própria para o Supremo Conselho, tanto pela necessidade de crescimento do Rito, quanto pela de adequação dos Corpos Filosóficos. A 13 de novembro, um dia depois das comemorações do 145º aniversário do Supremo Conselho, era lançada a pedra fundamental da nova sede própria. Em Sessão plenária do Supremo Conselho, a 14 de setembro de 1978, Vulcano comunicava que a inauguração da sede, no Campo de São Cristóvão, estava programada para o dia 10 de novembro.
A Secretaria de Cultura era uma velha aspiração de Vulcano, Maçom culto dedicado ao Supremo Conselho e ao Grande Oriente do Brasil. O primeiro Secretário de Cultura foi Américo Bispo da Silveira e o primeiro ocupante da Secretaria de Comunicação Social foi Ney Coelho Soares.
A 4 de setembro de 1986, era aprovada a criação do Grêmio de Radioamadores, que permitiria ao Supremo Conselho instalar uma Estação de Transmissão de Radioamador, com alcance em todo o País com a finalidade de transmitir boletim informativo semanal, sobre os assuntos de interesse de todos os Corpos Filosóficos.
A 19 de outubro de 1988, o Supremo Conselho do Brasil sofria uma enorme perda: o Soberano Grande Comendador Ariovaldo Vulcano, o dínamo que incentivou a construção da sede própria e que batizou e organizou os trabalhos administrativos do Supremo Conselho, falecia às 13h30.
Em 1995, foi criado o Museu Maçônico e Histórico do Supremo Conselho, por Ney Coelho Soares, Soberano Grande Comendador em exercício na época. No final de 1998, o Supremo Conselho lançava a revista “O GRAAL”.
O Supremo conselho continuou a crescer e tornou-se um grande complexo arquitetônico. Em 27 de junho de 2003, é inaugurada a Biblioteca Dr. José Ramos Penedo, que possui a função social de democratizar e disseminar a informação ao público. Seu acervo é formado por literatura maçônica e profana, monografias, teses, periódicos e material iconográfico. Há restrições de cesso ao acervo que possa violar a privacidade da Maçonaria.
Em 2007, o grande empreendedor Enyr de Jesus da Costa e Silva foi eleito Soberano Grande Comendador. Sua vida maçônica teve inicio no dia 20 de novembro de 1975, na Loja Copacabana do Grande Oriente do Brasil. No dia 14 de maio de 1976, iniciou na Loja de Perfeição Cruzeiro do Sul, começando assim sua caminhada nos Graus Filosóficos da Maçonaria e hoje tem a responsabilidade de ocupar o comando do Supremo Conselho do Brasil.
Em janeiro de 2010, sob a administração do Soberano Grande Comendador Enyr de Jesus da Costa e Silva, o Museu passou a ser denominado Centro Cultural Maçônico, espaço que reúne cultura de diversas formas, como exposições de longa duração e temporária, sala de leitura e teatro. É um espaço aberto ao público em geral, onde a visitação se estende às Câmaras Filosóficas, objetivando expor a cultura maçônica e sua influência na história do Brasil.
O Centro Cultural Maçônico participa anualmente da Semana Nacional de Museus, evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC). O evento possibilita aos visitantes uma viagem pela história, ciência e cultura nas instituições museológicas do Bairro de São Cristóvão, cumprindo o seguinte roteiro: Museu Nacional, Museu Conde de Linhares, Casa da Marquesa de Santos, 1º Batalhão de Guardas – Batalhão do Imperador – 1823, Centro Cultural Maçônico, Museu de Astronomia e Club de Regatas Vasco da Gama. Neste Projeto, o Centro Cultural Maçônico, durante dois dias – sábado e domingo – abre suas portas e atinge uma visitação de aproximadamente três mil pessoas.
Neste ano de 2012, sob a administração do Soberano Grande Comendador Enyr de Jesus da Costa e Silva, o Supremo Conselho possui 59 Órgãos: 39 Delegacias Litúrgicas, 1 Representação e 19 Colégios dos Grandes Inspetores Gerais sediados nas regiões mais desenvolvidas de cada Estado. Há também 759 Corpos Filosóficos Regulares: 290 Lojas de Perfeição, 257 Capítulos Rosa-Cruz, 130 Conselhos Filosóficos de Kadosch e 82 Consistórios de Príncipes do Real Segredo, todos constituídos por Obreiros em harmônica união com o Grande Oriente Do Brasil.
Sem dedicação não há conquista, assim neste ano de 2012, o Supremo Conselho do Brasil completa 180 Anos de muita dedicação de homens que consolidaram essa honrada Instituição. Parabéns ao nosso Soberano Grande Comendador Enyr de Jesus da Costa e Silva e a todos os Irmãos que tornaram esse fato histórico possível.

Fonte de pesquisa: CASTELLANI, José. O Supremo Conselho no Brasil: síntese de sua história, Rito Escocês Antigo e Aceito. Editora Maçônica “A Trolha”. Londrina:2000. 

 
 

 

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