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O significado do Trabalho e a Gestão do Conhecimento

 

Este artigo tenta explicar o singificado trabalho no plano filosófico e social.

Tanto o homem como o animal produz, aliás, perto da abelha, o homem é um exímio preguiçoso. Mas os animais só produzem na medida do estritamente necessário para si ou para as suas crias. O animal só produz mediante uma exigência da necessidade física imediata, enquanto que o homem produz quando é livre e necessitado.

Ainda assim é difícil definir trabalho. É sempre um vir-a-ser, um projeto eternamente inacabado. É assim algo inerente ao homem.

O trabalho é ação transformadora em que o homem encontra momentos de satisfação, de realização de seus projetos, mesmo que, concomitantemente, esteja gerando novas ansiedades.

Essa relação entre a natureza e o trabalho, entre a realização humana e o cosmos é tão antiga quanto à história da humanidade. Trabalho é atividade transformadora (material ou intelectual) do homem, realizada na natureza e na sociedade em que vive.

O trabalho é primeiramente um processo entre homem e natureza, um processo em que o homem possibilita, regula e controla sua troca de substâncias com a natureza por meio de sua própria ação. Ele se defronta com a própria substância da natureza com um poder natural.

Coloca em movimento forças naturais pertencentes a seu corpo, braços e pernas, cabeça e mãos, para se apropriar da substância da natureza numa forma utilizável para sua própria vida. Enquanto, nesse movimento, age sobre a natureza. Desenvolve as potências nela adormecidas e submete o jogo das forças naturais a seu próprio domínio.( Karl Marx)

O trabalho representa e espelha o humano, mas sobretudo representa a dominação do homem sobre a natureza.

Segundo Julián Marías, a vida não está feita; ao contrário, temos que a fazer, e ela é o que eu faço, é o fazer mesmo (...) Mas a vida não se define simplesmente por um fazer no sentido de mero acontecer ou atividade; fazer, em sua significação rigorosa de fazer humano é sempre o meu fazer, ou com maior precisão, eufazer.
A vida é minha, além de se fazer, é propriamente que fazer, tarefa imposta ao ser que tem de viver, destino, missão.

A mesma indignação tinha o poeta Carlos Drummond de Andrade que não se julgava um homem realizado.

A filosofia atual deu-se conta de que antes de poder falar o que a vida tem ou não, há uma preocupação de si mesma e, está essencialmente constituída pela temporada na qual não só está ou acontece como, mas sobretudo se faz.

Trabalho é, portanto tipicamente humano, o que distingue o pior dos arquitetos da melhor das formigas, é que ele projeta mentalmente a construção antes mesmo de realizá-la.

Pois o homem não transforma apenas o material em que trabalha. Ele realiza no material o projeto que trazia em sua consciência. (K. Marx) Através do concreto, o homem demonstra a apreensão do abstrato.

O trabalho foi revalorizado, e principalmente o lucro passou a ser visto como sinal da benção divina.

Hegel definiu o trabalho como elemento de autoconstrução do homem. Destacando o aspecto positivo do trabalho, como o fato de exercer sobre a natureza, a sua criatividade.

Marx em sua análise desvendou a alienação que se desenvolve a partir do trabalho assalariado.

De qualquer ângulo que analisemos a alienação esta dilapida tanto o valor do homem como o do trabalho, sendo este um processo segundo Hegel pelo qual os indivíduos colocam as suas potencialidades nos objetos por eles criados.

Para Aristóteles a diferença social entre os homens era natural e, completamente justificável, o cidadão grego estava proibido ao trabalho braçal, pois deveria dedicar-se à reflexão, ao exercício da cidadania e do bem-governar.

A experiência medieval calcada na economia de subsistência onde o trabalho era preso a terra, ao teocentrismo e a luta pela sobrevivência.

E, a Igreja Católica pregava a adoração à Deus, e condenava o trabalho como forma de enriquecimento, deveria apenas servir para purificação da mente e a disciplinar o corpo.

A ociosidade das elites não era nociva e nem era considerada como preguiça posto que se destinava ao exercício de nobres funções: a política, a guerra, a caça, ao sacerdócio enfim, ao exercício do poder.

Aos servos cabiam as atividades agrícolas, artesanais, era permitido possuir as ferramentas e dominar o saber técnico da produção, apesar da ausência de direitos políticos, gozava-se de relativa liberdade.

A crise na ordem feudal, e com o desenvolvimento do comércio, surge aos poucos, o que veio a cominar no que conhecemos hoje como sociedade capitalista. Primeiro surgiram os burgos, em seguida, o mercantilismo até vir consagrar o trabalho livre.

O trabalho livre era forma ideal burguesa, sendo o homem livre para usar a força do seu corpo como uma máquina natural e, para escolher de forma soberana o que deseja para si mesmo.

Ocorre a separação entre o trabalhador e a propriedade dos meios de produção; ou seja,o divórcio entre o capital e o trabalho.Sob dupla face, o trabalho se apresenta como fruto da vontade e de objetivos livremente determinados; e por outro lado, o trabalho mecânico que era subordinado a uma vontade dos que não possuem os meios de produção. A revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX veio a consolidar tal cisão.

O tempo útil do trabalho produtivo deveria funcionar como um “relógio moral” que cada indivíduo levaria dentro de si.O valia pelo que produzia.

Trabalho que permita assim um mínimo de realização pessoal é aquele que proporciona liberdade ao homem e, não opressão e desumanização. É aquele que dá um mínimo de dignidade ao trabalhador e a plena cidadania.

Uma curiosa história que os antigos romanos e gregos utilizavam para justificar o trabalho é a de Sísifo (filho de Eélo e neto de Helen), era irmão de Salmônea, tendo conquistado toda Elida, foi fulminado por Júpiter.

Sísifo reinou em Corinto, depois da retirada de Medéia. Diz-se que ele conseguira prender a Morte e a manteve amarrada, até que a pedido de Plutão, foi soltá-la. Homero explica que Sísifo livrou a Morte, evitando a guerra e, se empenhando pela paz. Sísifo foi o mais sábio e prudente dos mortais.

No entanto, foi condenado aos infernos e a rolar incessantemente um enorme rochedo até o alto de uma montanha ao chegar ao cimo a imensa pedra que desce atraída pelo seu próprio peso, e ele era condenado a recomeçar imediatamente a ascensão, com um trabalho sem tréguas. Por que mereceu esse suplício?

Alegam-se muitas razões; uma delas que, como Tântalo, também revelara os segredos dos deuses. Tendo Júpiter raptado Égina, este se dirigiu a Sísifo para saber sobre o paradeiro de sua filha. E, então, Sísifo se propôs a revelar o destino de sua filha desde que o rei Ásopo fornecesse água a cidadela de Corinto. Com essa paga, Sísifo então revelou o segredo e foi punido nos Infernos.

Segundo outros, foi por ter desviado dos seus deveres. Finalmente outros, faz de Sísifo um criminoso que praticava todas as espécies de latrocínios na Ática e que imolva todos os estrangeiros. O rochedo que ele rola sem descanso, pode bem ser o emblema de um príncipe ambicioso que resolveu muito tempo na cabeça projetos sem execução.

Diante desta história o trabalho era um sacrifício ou uma punição ou até uma missão destinada a purificar, punir ou justificar a existência de um poder.

Ulisses comenta num trecho de Homero: “Também vi Sísifo extenuando-se e sofrendo; empurrava um bloco imenso e com ambas as mãos. Na verdade, ele o arrastava até o cume, sustentando-o com os pés e as mãos; mas, quando estava a ponto de finalmente atingir o alto do morro, o peso excessivo o impelia para baixo.

Novamente, então, a pedra impiedosa rolava para o vale. Entretanto, ele reiniciava o trabalho e empurrava-a ponto de ter o corpo banhado de suor; ao redor de sua cabeça, porém, pairava uma nuvem de poeira”.

Aristóteles in Ética a Nicômano pontifica: “Embora pareça certo e reconhecido dizer que a felicidade éo que há de melhor, seria desejável que se mostrasse com mais clareza o que é. Talvez se conseguisse isso ao se compreender a obra do homem (...) Parece também que a felicidade consiste no ócio, pois nos esforçamos para repousar e guerreamos para estar em paz”.

A atividade profissional constitui fonte de satisfação especial se for livremente escolhida (...) No entretanto, como caminho para a felicidade, o trabalho não é altamente prezado pelos homens.

Não se esforçam em relação a ele como o fazem em relação a outras possibilidades de satisfação. A grande maioria só trabalha por necessidade, e esta natural aversão humana ao trabalho suscita problemas sociais extremamente difíceis.

De qualquer modo, o trabalho exprime o ser, suas características, seu pensar, seu agir e, sobretudo sua essência. O trabalho eterniza o homem, através das obras e pela dominação e apreensão da realidade que o trabalho sintetiza.

Como dizia Sartre O importante não é o que fazem do homem, mas o que ele faz do que fizeram dele. Somente o pleno exercício da capacidade de agir pode conferir aos negócios humanos fé e esperança, características essenciais da existência humana que a Antigüidade ignorou por completo, desconsiderando a fé como virtude muito incomum e pouco importante, e considerando a esperança como um dos males da ilusão contidos na caixa de Pandora.

Hannah Arendt traça a distinção entre labor e trabalho.O labor possui conotação de dor e atribuição, advém do latim tripalium que era uma espécie de tortura. O desprezo pelo labor é resultante da acirrada luta do homem contra a necessidade e de uma impaciência não menos forte em relação ao todo esforço.

Já a idéia de trabalho, encerra a atividade do artífice, reside na mentalidade do homo faber, pressupõe a indubitaável racionalidade. Pois o trabalho conhece o método (caminho em grego) enquanto que o labor conhece o sacrifício.No trabalho se descobre o mundo como objeto.

Ao definir o trabalho como o metabolismo do homem com a natureza, em cujo processo o material da natureza é adaptado por uma mudança de forma, às necessidades do homem, de sorte que o trabalho incorpora ao sujeito.

É verdade também que o labor transmite à natureza algo que é próprio ao homem, o processo natural da vida reside no corpo, nenhuma atividade é tão imediatamente vinculada à vida quanto o trabalho.

A vitória do animal laborans jamais teria sido plena se não houvesse o processo de secularização, a perda da fé como decorrência inevitável da dúvida cartesiana, o mundo passou a ser menos estável, menos confiável. E então, o homem foi arremessado para dentro de si mesmo e percebeu que a única coisa imortal era o processo vital da espécie humana e a ênfase no social.

Primoroso ou banal, qualificado ou braçal, contínuo ou exíguo, científico ou leigo, trabalho é na verdade a marca do homem no planeta, tal qual a pegada deixada pelo astronauta na lua. Significa bem mais que um mero passo, significa um marco na história, um resquício inesquecível da existência, persistência e da superação humana.

Gisele Leite

Publicado no Recanto das Letras em 08/04/2009
Código do texto: T1529831

http://recantodasletras.uol.com.br/textosjuridicos/1529831

 

 

OUTRO TEXTO A RESPEITO DO TRABALHO

 

O presente estudo tem por objetivo investigar qual o significado do trabalho na sociedade contemporânea.  Resgata-se os sentidos do trabalho chegando até  o momento atual, caracterizado pelo desemprego, pela precarização e pela desvalorização do trabalho, no seu papel de realização pessoal. Identifica-se um crescente esvaziamento do valor social e psicológico do trabalho, percebe-se uma tendência a uma mercantilização do mesmo.Há uma retirada do valor positivo do trabalho, que tem sido freqüentemente reconhecido como um mero acesso a bens materiais. Questiona-se sobre os riscos do processo de desumanização do trabalhador exposto a situações de trabalho precarizadas e aponta-se para a urgente necessidade de pesquisas na área de saúde do trabalhador que possam fomentar políticas públicas.

 A palavra trabalho vem do latim tripalium, termo utilizado para designar instrumento de tortura, ou mais precisamente, “instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes ainda munidos de pontas de ferro, nas quais agricultores bateriam o trigo, as espigas de milho, o linho, para rasgá-los e esfiapá-los” (ALBORNOZ, 1994, p.10). 

Por muito tempo o significado de trabalho foi associado a fardo e sacrifício. Na Grécia Antiga, o trabalho era desprezado pelos cidadãos livres. Platão considerava o exercício das profissões vil e degradante.   Nos primeiros tempos do cristianismo, o trabalho era visto como tarefa penosa e humilhante, como punição para o pecado. Ao ser condenado, Adão teve por expiação trabalhar para ganhar o pão com o suor do seu próprio rosto.

A concepção de trabalho como fonte de identidade e auto-realização humana, foi constituída a partir do Renascimento. O trabalho adquire então um significado intrínseco, “as razões para trabalhar estão no próprio trabalho e não fora dele ou em qualquer de suas conseqüências”.(ALBORNOZ,1994,p.59). A partir dessa época, uma outra visão passou a vigorar, concebendo o trabalho não mais como uma ocupação servil. Longe de escravizar o homem, entende-se que propicia o seu desenvolvimento, preenche a sua vida, transforma-se em condição necessária para a sua liberdade.

A categoria trabalho não pode ser pensada como natural ou a-histórica. O trabalho impregnado de toda uma subjetividade, inserido em um contexto econômico/ político/ social com tantas diversidades, leva os indivíduos a terem vivências bastante distintas. Ao longo dos tempos, identifica-se duas visões contraditórias do trabalho que convivem nos mesmos espaços, e por vezes, um mesmo indivíduo revela sentimentos ambíguos em relação a sua vida profissional.

A noção de trabalho humano associa-se a um significado simultaneamente penoso, expresso, por exemplo, na formação cultural cristã, pela condenação de Adão no Velho Testamento, e gratificante, expresso pela interpretação humanista do trabalho como mimesis do ato divino de criação (LIEDKE,1997, p.272).

Constata-se, portanto, que o trabalho apresenta duas perspectivas distintas. A primeira referente a um caráter negativo; e a segunda a uma dimensão positiva. Em alguns momentos representa castigo divino, punição, fardo, incômodo, carga, algo esgotante para quem o realiza. Em outros, espaço de criação, realização, crescimento pessoal, possibilidade de o homem construir a si mesmo e marcar sua existência no mundo.

O grau máximo de realização com o trabalho se dá na época da produção artesanal, quando o trabalhador acompanha e interfere em todas as etapas do processo produtivo. O artesão revela uma grande identificação com o seu produto, ele se sente diretamente responsável pelos resultados obtidos.

Com a Revolução Industrial a emoção é retirada do local de trabalho. A racionalização é a palavra mais repetida no mundo dos negócios. A programação e o controle são determinantes, tudo é calculado, preciso. O cronômetro entra na fábrica, apodera-se dela, regula-a, domina-a, ultrapassa os seus muros e vai ditar formas de convivência para uma nova sociedade.

O método taylorista/fordista utilizado nas indústrias rapidamente contagia outras organizações, incluindo igreja, família e tipos de lazer. Novos valores passam a determinar a sincronização dos tempos de vida e do trabalho, são estabelecidos horários exatos para chegar e sair da fábrica, tempo predeterminado para executar uma tarefa. O consumo do tempo livre é monitorado, a quantidade e as formas de lazer devem ser adequadas para não interferir na disposição e produtividade do operário.

O trabalho passa a ser reconhecido como uma atividade central que ocupa de forma quase total o espaço de vida, na medida em que absorve a maior parte do tempo do indivíduo e em que é criado um novo espaço social para lhe dar o suporte necessário.

As pessoas ficam submissas às leis impostas pelas fábricas, ocorrendo um controle das suas vidas privadas. Há uma tentativa de adequação das relações sociais desenvolvidas extra-produção a uma racionalidade econômica e técnica que opera no interior   das  indústrias.  A indústria transforma o conceito de trabalho e dita novos valores à sociedade da época, criando assim o que se pode chamar de Sociedade Industrial.

No início da década de 70 com a crise do capitalismo, o modelo taylorista/ fordista começou a dar os seus primeiros sinais de decadência. O mundo foi palco de muitas mudanças, o que gerou significativas transformações nas relações de trabalho. Tornou-se necessária uma nova forma de organização industrial, com uma estrutura mais flexível para adequar-se com mais facilidade as constantes transformações do mercado.

Muitos fatos pressionaram os empresários, impulsionando-os a reverem os seus princípios de gestão administrativa. Dentre eles, pode-se citar: a crescente concorrência japonesa; o aumento do grau de exigência dos clientes, que não estavam mais dispostos a consumir produtos fabricados em série sem nenhuma diferenciação; a queda da taxa de lucro; a eclosão de revoltas do operariado e a crise do Welfare  State. É nesse contexto que emerge a era da acumulação flexível, caracterizada por um intenso processo de reestruturação da produção e do trabalho.

 O SIGNIFICADO DO TRABALHO NA ERA DA ACUMULAÇÃO FLEXÍVEL

Na década de 80, o modelo japonês, também conhecido como toyotismo, consagrou-se. Os empresários ocidentais buscavam soluções para os seus problemas na experiência nipônica. Uma nova forma de organização da produção e do trabalho dissemina-se, inicialmente nas indústrias,  abarcando posteriormente a área de serviços.

Muitas empresas realizam um verdadeiro “desmonte”, dividindo-se em pequenos grupos por diferentes partes do mundo, numa relação de terceirização ou subcontratação. Vivencia-se um gradativo desaparecimento dos empregos permanentes somados a uma crescente precarização e instabilidade do trabalho.

A classe trabalhadora convive com a fragmentação e a heterogeneidade em sua atual composição, enfrentando a realidade de “acordos” e “concessões” das mais diversas ordens para a sua sobrevivência.

As relações empregado-sindicato também vêm sofrendo mudanças significativas. Os sindicatos de classe que não têm se submetido à reestruturação competitiva vêm perdendo força para as organizações que se fecham na solução de seus conflitos, configurando os chamados sindicatos de empresa. A representatividade social dos sindicatos tem sido bastante reduzida, a luta das categorias e a solidariedade entre os seus integrantes estão se extinguindo, ocorre agora uma acirrada disputa entre os pequenos sindicatos pela maior competitividade, visando melhores condições de trabalho e de salário. Para Dittrich (1999, p.61): “ o movimento sindical deixa de existir  enquanto ator político e social em nível macro, para restringir-se às necessidades internas dos empregados na organização. Diminui  seu poder de pressão e influência na negociação”

A classe-que-vive-do-trabalho experimenta uma situação de enfraquecimento e desamparo, sentindo-se constantemente apreensiva diante das mudanças de rumo de sua vida profissional. As incertezas do capitalismo flexível geram um aumento de desconfiança. Todos sofrem, o desempregado por não ver perspectivas e o empregado pelo medo de deixar de sê-lo amanhã.

No entanto, embora convivendo com esse lado sofrível do trabalho, a sociedade continua muito vinculada ao mesmo, cultivando-o como algo essencial. As pessoas cada vez mais dedicam muitas horas do seu dia às atividades profissionais, utilizam parte importante do seu tempo livre se qualificando para a empregabilidade. O sucesso é o tirano cruel que deixa sempre as pessoas com a sensação de débito consigo mesmo. “A busca da aptidão é um estado de auto-exame minucioso, auto-recriminação e auto-depreciação permanentes, e assim também de ansiedade contínua” (BAUMAN,2001, p.92/93). 

Apesar do trabalho continuar sendo o centro da vida da maioria das pessoas, é crescente o número de trabalhadores que não reconhecem a esfera profissional como um espaço de realização, de reconhecimento, de poder ser útil à sociedade. Existe uma minoria de trabalhadores atuando em funções que permitem envolvimento e identificação. Há na realidade, um grande grupo que trabalha apenas por necessidade financeira, que trocaria facilmente de atividade profissional. Para esse grupo, o trabalho não é um fim em si mesmo, é exclusivamente um meio para alcançar outros objetivos.

Segundo Mascarenhas (2000, p.76) o trabalho:

(...) vem sendo reduzido a mera atividade vital, cuja única e exclusiva orientação ainda é a subsistência (...) não mais permite a possibilidade de afirmação pessoal, mas nos aprisiona junto ao impulso vital das necessidades imediatas.

Nessa mesma direção Camps (1993, p. 124) expõe que, para a concepção dominante só tem sentido o trabalho bem remunerado, “já não existe um trabalho que valha mais do que o outro: é mais válido o que paga melhor. Já não existem, portanto, profissões de maior prestígio, e sim profissões que abrem as portas para o dinheiro e o êxito”.

Há uma retirada do valor positivo do trabalho. Este tem sido freqüentemente reconhecido como um mero acesso a bens materiais, o que provoca a sua submissão às leis do dinheiro. A importância dada ao trabalho, como um instrumento de alcance do sucesso econômico, coloca em planos secundários outras esferas da vida como a familiar e a social.  “É o completo vazio do dinheiro elevado a fim em si mesmo, que agora domina definitivamente a existência como deus secularizado da modernidade” (KURZ, 2002, p.15).

O homem na sociedade contemporânea é valorizado a partir do seu lugar de proprietário e consumidor - homem e mercadoria se identificam. Esse passa a ser o eixo norteador da representação que o homem elabora de si mesmo e dos outros à sua volta.

A sociedade de consumo impõe que tudo gire em torno dela, especialmente o trabalho e, considerando a centralidade do trabalho na vida das pessoas e como este perpassa as expectativas, as necessidades,  a subjetividade e a identidade social do trabalhador, vem se delineando um panorama de construção de valores que não ficam restritos ao espaço organizacional, mas estão balizando a configuração das relações sociais na contemporaneidade.

Nessa corrida tudo tem sido sutilmente permitido: ser desleal, desqualificar o colega, omitir informações, entre outras tantas práticas. Sobre essa efemeridade nos laços sociais Bauman (2004, p. 112-113) afirma:

Uma inédita fluidez, fragilidade e transitoriedade em construção (a famosa ‘flexibilidade’) marcam todas as espécies de vínculos sociais que, uma década atrás, combinaram-se para constituir um arcabouço duradouro e fidedigno dentro do qual se pôde tecer com segurança uma rede de interações humanas. Elas afetam particularmente, e talvez de modo mais seminal, o emprego e as relações profissionais.

Heloani (2003, p.103) também comenta:

Se o homem passa a maior parte de seu tempo trabalhando, suas relações pessoais fora de casa deveriam ter um valor afetivo de extrema importância. No entanto, as relações de companheirismo e de amizade no trabalho não se concretizam, pois elas são passageiras, imediatas, competitivas e as ligações afetivas, os vínculos não podem estabelecer-se, já que com cada alteração rompem-se os laços, perdem-se as pessoas e daí, além do castigo do desemprego, há a solidão, a perda irreparável.

Certamente nem todos percebem como “natural” esse clima de desconfiança permanente e a prática da deslealdade. Há um desconforto que, conforme as circunstâncias a serem vividas, vai desencadeando adoecimento psíquico e somático nos indivíduos. Dejours (1999) aponta para a existência de um “sofrimento ético” que corresponde à traição de ideais e valores apreendidos como nobres, aprovados socialmente.

O trabalho precisa estar integrado à vida, ter um sentido, não pode se restringir a ser um meio de sobrevivência. O indivíduo precisa vislumbrar a possibilidade de realização dos seus planos e projetos, desvinculados do mero acesso a bens materiais e suas simbologias. Uma atividade profissional que incorpora um significado intrínseco, que tem valor por si mesma, ajudará na construção de uma nova sociabilidade, marcada por valores éticos. No entanto, isto também exige uma outra antítese das condições atuais, isto é, trabalho para todos.

Atualmente os novos contornos do mundo do trabalho dificultam uma relação de maior envolvimento e identificação da classe trabalhadora com a vida profissional.

Antunes (2001, p.24) alerta que:

Quando se visualiza e se desenha o mundo do trabalho hoje, aflora o seu traço destrutivo; o ser social que trabalha vivencia seu cotidiano entre a violência do trabalho, a violência da precarização e a violência ainda maior do desemprego.

É muito preocupante, uma atividade que deveria ser reconhecida como fonte de realização e de construção de identidade, está se revelando com freqüência como geradora de sofrimento e em casos mais graves até de adoecimento.     

Heloani (2003, p.102) aponta para os riscos que o trabalhador atualmente pode estar exposto quando diz que:

O mundo do trabalho torna-se, de forma rápida e surpreendente um complexo monstruoso, que se por um lado poderia ajudar, auxiliar o homem em sua qualidade de vida, por outro lado, patrocinado pelos que mantém o controle do capital, da ferramenta diária que movimenta a escolha de prioridades, avassala o homem em todos os seus aspectos.

Vive-se um momento histórico de esvaziamento do significado do trabalho. Essa situação tem gerado “um enfraquecimento do valor social e psicológico da atividade profissional e um desaparecimento progressivo da ética do trabalho e da consciência profissional” (LEVY- LEBOYER,1994, p.59).

 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pergunta-se se é possível reverter esse esvaziamento do significado do trabalho em tempos de reestruturação produtiva? Se o homem está fadado a dedicar a maior parte da sua vida útil a uma atividade que lhe faz tanto mal? Se há possibilidade de se resgatar o valor positivo do trabalho em uma sociedade regida pela lógica do consumo e dominada por um por um sistema com características tão destrutivas?

Torna-se necessário repensar a função do Estado e dos sindicatos no que se refere à defesa dos direitos do trabalhador. Vive-se um difícil momento em que se relaciona a flexibilização das leis trabalhistas com o favorecimento da criação de novos postos de trabalho. Pastore (2002, p.14) argumenta que “toda a vez que o custo de manter um emprego aumenta, as contratações arrefecem e o desemprego cresce. O inverso é também verdadeiro. Derrubando o custo do empregado, acelera-se o ritmo de contratações”. Porém esse afrouxamento do sindicato e do poder norteador do Estado, necessários para a flexibilização das leis trabalhistas, pode gerar também um aumento da violência tão presente no trabalho precarizado.

Este impasse impõe a necessidade urgente de se incrementar estudos referentes à saúde do trabalhador em uma perspectiva interdisciplinar, que possibilitem o levantamento de discussões a respeito dos impactos da reestruturação produtiva sobre a qualidade de vida no trabalho. Estudos que possam contribuir com alternativas para que as entidades representativas tenham um maior poder de luta para implementação de políticas públicas em defesa da saúde do trabalhador. Políticas públicas que possam se contrapor ao poder de destruição das leis do mercado, que busquem evitar o esvaziamento do valor positivo do trabalho, que tentem impedir a restrição da  atividade laboral, algo tão central na vida das pessoas, a um espaço de sofrimento e adoecimento.

Acredita-se que não há como analisar a saúde do trabalhador e buscar a sua promoção, descolando-o do seu ambiente de trabalho e da conjuntura sociopolítica que o envolve. Comunga-se do pensamento de Rocha e Gomes (2001, p.269) de que:

A promoção de saúde dos trabalhadores está diretamente ligada à organização do trabalho, pois dela dependem a viabilização das alternativas de atuação dos trabalhadores e a reapropriação do saber e do poder decisório do trabalho.

 

http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812004000300006&lng=pt&nrm=

 

 

 

GESTÃO DO CONHECIMENTO

 

Na economia clássica, "capital" é um dos quatro fatores de produção, junto com terra, trabalho e empreendedorismo. Os bens com as seguintes características são considerados como capital:

  • Podem ser utilizado na produção de outros bens (esta característica faz do capital um fator de produção).

  • São feitos por humanos, em contraste com a "terra", que é um recurso natural, localização geográfica e minerais.

  • Não se esgotam imediatamente no processo de produção, como as matérias primas e os bens intermediários.

A terceira parte da definição não é usada freqüentemente pelos economistas clássicos. O economista clássico David Ricardo utilizaria a definição acima para o termo capital fixo e o termo capital circulante para as matérias primas e bens intermediários. Para ele, ambos são tipos de capital.

O intelectual Karl Marx adiciona uma distinção que é sempre confundida com a visão de Ricardo. Na teoria marxista, o investimento do capitalista na força de trabalho é chamada de capital variável, a fonte única da mais-valia. Ele é chamado de "variável" pois o total do valor que ele pode produzir varia conforme o total que ele consome, isto é, ele cria novo valor. Por outro lado, o termo capital constante é uma referência ao investimento em fatores de produção não humanos, como fábricas e equipamentos, que segundo Marx, adicionam apenas o custo de substituição ao valor das matérias primas utilizadas na produção. Ele é constante, já que o total do valor comprometido com o investimento original, e o total recuperado na forma de produtos produzidos, permanece constante.

O investimento ou acumulação de capital na teoria econômica clássica, é o ato de gerar aumento de capital. Para que haja investimento, os bens não devem ser produzidos para o consumo imediato, mas para a produção de outros bens, ou seja, devem ser utilizados como "meios de produção". O investimento é relacionado com a poupança, mas não é a mesma coisa. Segundo o economista John Maynard Keynes, a poupança é o ato de não gastar a renda em bens e serviços de necessidade corrente, já o investimento envolve o gasto em bens específicos como os "bens de capital".

O economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk afirmava que a intensidade do capital é medida pela roundaboutness ("período de produção") dos processos de produção. O capital é definido por ele como um bem de mais alta ordem, ou um bem utilizado na produção de bens de consumo, cujo valor deriva deles, os futuros bens.


Algumas teorias utilizam os termos capital intelectual e capital do conhecimento que levam à certas questões e controvérsias. Em geral, o capital intelectual é aquele que produz uma nova "direito sobre propriedade intelectual".

Apesar de ainda ser possível calcular a idéia de capital humano do ponto de vista macro economico como salário, ele é raramente (ou simplesmente não é) é usado no planejamenteo do investimento. O capital humano, é visto de maneiras diferentes por aqueles que acreditam que ele é fruto do investimento ou por aqueles que acreditam que ele é vítima da exploração.

Obras diversas descreveram os termos capital natural e social capital. Estes termos refletem um consenso que a natureza e sociedade funcionam de maneira similar. Em particular, eles podem ser utilizados na produção de outros bens, não são consumidos durante o processo de produção e podem ser melhorados (senão criados) pelo esforço humano.

Também existe literatura sobre o capital intelectual e a propriedade intelectual. Porém, cada vez mais se diferencia o significado de capital de investimento dos instrumentos para recuperação de direitos de patente, copyright e trademark.

Capital intelectual é o nome dado a toda a informação, transformada em conhecimento que se agrega àqueles que você já possui.

Assim, por exemplo, uma pessoa que sabe dirigir um veículo pode não entender de mecânica. Mas, outro, poderá fazê-lo, se souber mecânica. Hoje, sabemos, principios básicos de mecânica são ensinados em escolas que dêem testes para a obtenção de carteiras de habilitação. Sendo básica, ela lhe dá apenas alguns princípios os quais lhe pode nortear, sem sombra de dúvidas, na busca de um profissional com conhecimento mais profundo.

Outro exemplo mais simples é o autodidata que, sem estudar em escolas formais, adquire um conhecimento à partir de uma metodologia própria que o leva a assimilar informações e transformar isto em conhecimento.

Todavia, há um precedente muito sério aqui: autodidatismo sem a mediação correta, como ensinaram Alexei N. Leontiev e Lev Seminovitch Vygotsky, pode levar a erros de interpretação, e o que era para se tornar capital intelectual, pode se tornar um problema.

Em contabilidade, as tentativas de qualificação e mensuração do capital intelectual à disposição da organização, tem gerado um novo ramo denominado "Contabilidade Estratégica".

Todo conhecimento tácito dos colaboradores de uma empresa ou entidade e que pode potencializar ou modificar o negócio, deve ser mapeado e registrado, de modo que possa ser utilizado em prol da organização a qualquer momento.

A Gestão do Conhecimento é uma disciplina que tem suscitado cada vez mais atenção nas últimas décadas, tendo originado inúmeros trabalhos de investigação e investimentos cada vez mais significativos por parte das organizações que reconhecem a sua crescente importância. A investigação na área da gestão do conhecimento está ligada à várias disciplinas, entre as quais, a gestão estratégica, a teoria das organizações, os sistemas de informação, a gestão da tecnologia e inovação, o marketing, a economia, a psicologia, a sociologia, etc.(Georg van Krogh, 2002)

A principal preocupação dos investigadores na área da gestão do conhecimento reside na busca da melhoria de desempenho das organizações através de condições organizacionais favoráveis, processos de localização, extracção, partilha e criação de conhecimento, assim como através das ferramentas e tecnologias de informação e comunicação.

De forma geral, acredita-se que uma boa prática de gestão do conhecimento influencia directa e indirectamente o bom desempenho organizacional e financeiro de uma organização.

Entre as diversas vantagens de uma boa gestão de conhecimento, reconhecem-se as seguintes:

  • Vantagem competitiva em relação à concorrência

  • Redução dos custos e tempo de produção e desenvolvimento de produtos

  • Rápida comercialização de novos produtos

  • Aumento do valor das acções

  • Maximização do capital intelectual/activos intelectuais

  • Melhoria dos processos internos e maior fluidez nas operações

  • Processos de tomada de decisões mais eficientes e melhores resultados

  • Melhoria na coordenação de esforços entre unidades de negócios

  • Melhoria da prestação de serviços (agilidade), da qualidade dos produtos e da qualidade do serviço cliente

Vários autores (Drucker, 1993; Davenport et al., 1996; Staples et al., 2001; Holsapple, 2008, etc.) afirmam que boas iniciativas e práticas de gestão do conhecimento contribuem para a sustentabilidade das vantagens competitivas das organizações que as empreendem.

A Gestão do conhecimento possui ainda o objetivo de controlar, facilitar o acesso e manter um gerenciamento integrado sobre as informações em seus diversos meios. Entende-se por conhecimento a informação interpretada, ou seja, o que cada informação significa e que impactos no meio cada informação pode causar de modo que a informação possa ser utilizada para importantes ações e tomadas de decisões.

Sabendo como o meio reage às informações, pode-se antever as mudanças e se posicionar de forma a obter vantagens e ser bem sucedido nos objetivos a que se propõe. Em uma definição resumida pode-se dizer que Gestão do Conhecimento é um processo sistemático, articulado e intencional, apoiado na geração, codificação, disseminação e apropriação de conhecimentos, com o propósito de atingir a excelência organizacional.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Gest%C3%A3o_do_conhecimento

 

 

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